Um dos muitos distintivos da teologia da Graça Livre é reconhecer que palavras como salvação, evangelhoe paraíso têm significados diferentes, dependendo do contexto. Neste blog, gostaria de discutir outra palavra comum que é usada de forma diferente em diferentes contextos. É a palavra justificado.
Esta é uma palavra frequentemente usada pelos evangélicos. Tal como acontece com as palavras salvação e evangelhoa maioria dos cristãos pensa que significa apenas uma coisa. No NT, porém, refere-se a coisas diferentes. Vou oferecer três exemplos.
O NT fala de ser justificado diante de Deus. Isto acontece no momento da fé – quando acreditamos em Jesus para a vida eterna.
Este é o entendimento mais comum justificado. Significa “ser declarado justo por Deus”. A palavra justificado vem da raiz da palavra para justiça. Esta declaração de justiça não é conquistada ou merecida pela obediência ou pelas obras; antes, é uma declaração legal única no tribunal de Deus – uma ato forense – baseado unicamente na fé em Jesus Cristo.
No entanto, mesmo aqui é necessário esclarecimento. Justificação não é a mesma coisa que vida eterna. Embora ambos sejam recebidos no momento da fé, a nossa fé em Cristo (não as obras que fizemos) é contada como justiça, e Deus nos declara justos.
Paulo fala desse tipo de justificação em Romanos 3–4. “Portanto, afirmamos que uma pessoa é justificada pela fé, independentemente das obras da lei” (Romanos 3:28, NVI). “Pois o que diz a Escritura? ‘Abraão acreditou em Deus, e foi imputado a ele como justiça.’ Ora, para quem trabalha, o salário não é contado como graça, mas como dívida. Mas para aquele que não trabalha, mas crê Naquele que justifica o ímpio, a sua fé é imputada como justiça” (Rm 4:3-5, NKJV).
Um segundo tipo de justificação está diante dos homens. Outros veem nossas boas obras e nos declaram justos. Às vezes, usamos a frase “somos justificados (diante dos outros) pelas nossas obras”. A palavra é usada desta forma em Tg 2:24: “Vedes que o homem é justificado pelas obras e não apenas justificado pela fé“(Tiago 2:24; tradução minha, ênfase minha). Aqui a ênfase não está em como alguém entra em uma posição correta diante de Deus, mas em como a fé é demonstrada através de obras e, assim, vindicada aos olhos dos outros.
O contexto mais amplo de Tg 2:14-24 explica esse uso de justificado. A fé de Abraão mostrou-se ativa ao oferecer Isaque; As ações de Raabe, na forma como ela lidou com os espiões judeus, demonstraram sua fé diante de todo o Israel.
Em Romanos 4:2, Paulo contrasta a justificação diante de Deus (o primeiro uso da palavra, discutido acima) com este uso da palavra. Ele escreve: “…se Abraão foi justificado pelas obras, ele tem algo de que se gloriar, mas não diante de Deus“(ênfase minha). Nesse sentido, justificação é uma questão de reputação e testemunho. Os crentes podem ser vistos como justos aos olhos dos outros porque as suas vidas correspondem à fé que professam.
O terceiro tipo de justificação pode ocorrer no Tribunal de Cristo. Um crente pode ser declarado justo naquele dia. Cristo revisará as obras do crente e dará ou reterá recompensas naquele dia. Este não é um veredicto sobre o destino eterno, mas uma justificando avaliação de obras. Cristo declarará que os crentes fiéis viveram em retidão.
Acredito que este seja o significado da palavra justificado em Romanos 8:30. O contexto fala do crente que sofre com Cristo (8:17-37). Esses crentes reinarão com Cristo em Seu reino depois de terem suas vidas aprovadas no Tribunal de Cristo. Cristo declarará essas vidas justas. Deus determinou que os crentes sofredores não apenas estarão no reino – todos os crentes estarão no reino – mas também serão grandes nele (Romanos 8:28-30).
Não seria ótimo se fôssemos justificados de todas as três maneiras?

